sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Fidel, Chávez, Morales... Lula?

Anos atrás, um cientista político nipo-americano de nome Francis Fukuyama causou polêmica com um livro chamado O Fim da História, em que clamava que a humanidade já tinha experimentado todos os sistemas políticos possíveis e que a democracia capitalista moderna tinha se sagrado o sistema vencedor. Assim sendo, segundo Fukuyama, seria inevitável que todos países convergissem para regimes democráticos capitalistas e assim permaneceriam, felizes para sempre.

Na época, com o fim da União Soviética e a queda do regime de Mao na China, a idéia fazia sentido, mas os movimentos recentes da América Latina sugerem que os caminhos para democracia podem ser muito mais tortuosos do que se imaginava. O caso de Cuba é o mais enigmático e digno de nota. Mesmo velho e doente, Fidel Castro continua firme e inconteste no comando da ditadura mais antiga do planeta. Li uma biografia dele há mais de 20 anos e parece que pouca coisa mudou desde então. É incrível como Fidel é endeusado pelos cubanos, de uma forma muito diferente do que ocorre na Coréia do Norte, onde os cidadãos reverenciam, mas também temem, o líder Kim Jong-Il. Tempos atrás, no Japão, conheci uma médica cubana de nome Ema, capaz de brigar com qualquer pessoa que ousasse falar mal de Fidel.

O caso de Hugo Chávez na Venezuela é muito perigoso para toda América Latina e para o Brasil, em particular. É difícil imaginar o que um sujeito como Chávez pensa, mas ele tem se mostrado um tirano de ambições ilimitadas e ego superinflado; é, como Fidel, um marqueteiro de mão-cheia, explorando inteligentemente o sentimento de anti-americanismo onipresente na América Latina e a posição invejável de grande produtor de petróleo da Venezuela. É altamente deplorável que um sujeito como Chávez, que acaba de anunciar a estatização de todas principais áreas da economia e até de órgãos da imprensa, além de conseguir poderes ilimitados do congresso nacional, seja amigo pessoal de Lula. Chávez, não dê idéias a Lula, por favor!

Evo Morales é um caso menos preocupante. A influência regional da Bolívia é bem menor que da Venezuela e Morales não anunciou uma corrida armamentista, nem tem acumulado poderes ilimitados.

E Lula? Acredito que ele deva ter muita inveja de Chávez, mas parece que Lula aprendeu a ser mais prático que idealista em sua visão socialista do mundo. Todos devem se lembrar de como os bancos temiam a estatização pouco antes de Lula ser eleito para o primeiro termo da Presidência da República. Pois bem, Lula veio, Palocci deu continuidade aos planos econômicos do governo Fernando Henrique e os bancos nunca tiveram lucros como os de agora.

É difícil imaginar Lula estatizando bancos e empresas, inibindo a imprensa livre (houve alguns episódios no governo) e buscando para si poderes maiores no congresso à base de canetadas e golpes. Difícil, mas não impossível. A democracia brasileira permanece um enigma: parece sólida sob alguns aspectos, mas uma análise mais precisa revela muitos pilares de areia, como um povo com um percentual enorme de analfabetos funcionais, uma estrutura política corrupta que acredita na impunidade, um sistema judiciário que favorece a marginalidade. Pensando bem, não é tão difícil imaginar Lula dando uma de Chávez.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial