sábado, 17 de julho de 2010

Romances e Devaneios Históricos

Sou apaixonado por romances históricos. Essa paixão provavelmente começou --- ou se consolidou --- quando, ainda adolescente, li o excelente Eu, Claudius, de Robert Graves e fiquei fascinado pelo universo sórdido da Roma antiga, com suas traições, falta de moral e total corrupção de valores. A decadência do império romano e, mais tarde, a Idade Média, passaram a ser cenários constantes de muitas das minhas leituras prediletas.

A leitura de romances históricos bem escritos nos transporta no tempo e no espaço, fornecendo-nos uma pequena janela para compreensão de mundos tão distintos do nosso. O acima-citado Graves, por exemplo, é extremamente eficaz em construir personagens verossímeis, muito mais reais que aqueles mencionados nos textos frios de livros de História. Bons romances históricos são baseados em muita pesquisa e os autores são escrupulosos o suficiente para não deturpar os acontecimentos.

Recentemente, porém, tenho me sentido incomodado por livros que, usando personagens e fatos históricos como pano de fundo, misturam fato e ficção de modo descontrolado; esses livros confundem o leitor e trazem o risco de consolidar mentiras históricas, mesmo que não tenha sido essa a intenção do autor. Fica difícil saber o que é verdade e o que é puro devaneio. Um exemplo polêmico disso é O Código da Vinci, de Dan Brown, o que acabou gerando todo um conjunto de livros, trabalhos acadêmicos e documentários de TV sobre até que ponto é verdade o que Brown postula.

Há casos em que personagens e fatos históricos são misturados a uma ficção propositalmente tão incrível que não há como induzir o leitor a acreditar que se tratem de verdades históricas. Como exemplo, temos o excepcional Jonathan Strange and Mr. Norrel, de Susanna Clarke, em que a Inglaterra utiliza de mágica em suas batalhas navais contra Napoleão. Mas infelizmente isso parece ser uma exceção.

Por exemplo, em The Eight, a autora Katherine Neville elenca Carlos Magno, Napoleão --- de novo! --- e até o matemático Fourier, numa história que prende o leitor, mas que usa os personagens históricos sem o menor escrúpulo. A mesma autora é famosa por outro livro, em que consegue a façanha de colocar os apóstolos, Calígula e Genghis Khan numa mesma história!

Acabo de ler O Mapa dos Ossos, de James Rollins. A história tem um ritmo hollywoodiano, personagens profundos como um pires e mistura agentes secretos, o Vaticano, templários, um grupo extremista de cristãos agnósticos, os Reis Magos, passagens da bíblia, evangelhos apócrifos, Alexandre, o Grande, as Sete Maravilhas do Mundo Antigo, supercondutores, metais num estado monoatômico, alquimia, laser, criando um verdadeiro Samba do Crioulo Doido com pseudohistória e pseudociência. No prólogo e depois em nota final, o autor reforça que os lugares e relíquias citados são verdadeiros, e que os fatos científicos se baseiam em pesquisas recentes. Os lugares e relíquias existem, mas aquilo que realmente importa, ou seja, os fatos, são muito suspeitos e baseados em referências duvidosas.

Continuarei lendo e recomendando romances históricos, mas previno os novos leitores dos perigos de tomar como fatos os devaneios históricos dos autores. Além de discernimento e uma mente flexível, é necessário ter interesse sobre História séria, o que não parece ser o caso de muitos autores que se aproveitam do nicho literário popularizado por Brown.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Livro: Os Homens que Não Amavam as Mulheres por Stieg Larsson

Apesar do título estranho e autor desconhecido, interessei-me pelo livro exposto numa livraria de São Paulo e resolvi adquiri-lo depois de ler uma breve sinopse. O livro é bem escrito, com personagens bem desenvolvidas e um mistério interessante. Trata-se do primeiro da trilogia Millenium, do jornalista sueco Stieg Larsson. Aliás, foi meu primeiro livro de um autor sueco e o primeiro ambientado na Suécia, o que por si só já representa um atrativo.

Mas a história contada no livro poderia acontecer em qualquer lugar do mundo e o autor pouco explora as peculiaridades do país; uma das poucas coisas que o livro traz que provavelmente não tem paralelos em muitos lugares do mundo é um sistema prisional altamente liberal, mas isso tem importância secundária no contexto.

Mikael Blomkvist é um jornalista econômico, editor e co-proprietário de uma revista mensal chamada Millenium, cujo foco é o mundo dos negócios. Recém condenado por difamação a pagamento de indenização e três meses de prisão (extremamente light, diga-se de passagem), Blomkvist recebe uma proposta estranha: investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, uma adolescente que sumira nos anos 60 de forma misteriosa. Henrik Vanger, um senhor idoso que fora um dos maiores comandantes da indústria sueca por muito tempo, dedicara quarenta anos de sua vida à elucidação do mistério do desaparecimento de sua querida sobrinha-neta. Nenhum corpo fora encontrado, mas Henrik suspeita de alguém dentro do clã Vanger, uma família com muitos membros vis e deploráveis.

Blomkvist aceita o convite sem nenhuma esperança de lançar luz sobre o mistério, mas sua perspicácia acaba por desvendar verdades mais macabras do que poderia imaginar. Em sua saga, Blomkvist é ajudado por Lisbeth Salander, uma jovem punk, anoréxica, cheia de tatuagens e piercings, extremamente anti-social e com uma personalidade única, mas uma hacker de primeira linha. Aliás, Salander é tão marcante que o título em inglês do livro pode ser traduzido como A Garota com a Tatuagem de Dragão e deve ser por esse motivo que a capa da edição em português traz um dragão.

Essa improvável dupla apimenta a história, que também envolve reflexões sobre ética no jornalismo, violência sexual, segurança e privacidade na Internet, liberdade de imprensa etc. A história é muito original e bem contada, sem detalhes esquecidos. Como não leio sueco e a edição em português foi feita com base na edição francesa, é difícil saber o que foi perdido na tradução, mas o tradutor parece ter feito um bom trabalho. Pelo menos o resultado representa uma leitura agradável.

Acredito que todos que lerem este livro desejarão ler também os outros dois volumes da trilogia, no momento ainda inéditos no Brasil. A nota triste é que o autor, Stieg Larsson, morreu pouco depois de finalizar os livros, aos 50 anos. Certamente seu legado ficará na lembrança de muitos.

Classificação: 8 entre 10 estrelas

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Livro: Dark Rivers of the Heart por Dean Koontz

Comprei esse livro há um bom tempo e finalmente pude lê-lo durante as últimas férias. Trata-se de uma outra obra prima de Dean Koontz, seguramente um de meus autores prediletos, um escritor completo que infelizmente é pouco conhecido no Brasil. Koontz deixa literalmente no chinelo escritores como Dan Brown e me faz ter vergonha de Paulo Coelho. As personagens são bem construídas, as tramas são complexas mas não deixam buracos, as descrições chegam a ser poéticas.

O livro faz jus à categoria dos unputdownable thrillers --- algo mais ou menos como um livro de suspense que não dá para largar. Spencer Grant é um homem solitário marcado por uma enorme cicatriz no rosto e um passado funesto. Ex-militar e policial condecorado, Spencer tem como único amigo um cachorro chamado Rocky, que adotou num abrigo para cães maltratados. A vida de Spencer muda subitamente quando ele conhece Valerie Keene e passa a ter esperanças de ter uma vida normal a seu lado. Eis que Valerie é uma mulher envolta em mistério, perseguida por uma agência secreta financiada pelo governo americano. Guiado pelo instinto, Spencer resolve sua vida --- e a de Rocky --- para salvar Valerie. No desenrolar da história surgem personagens fantásticas que ganham verossimilhança nas descrições hábeis de Koontz: um assassino serial que mata e tortura somente para extrair um momento de beleza perfeita de suas vítimas, uma mulher inescrupulosa de beleza descomunal que literalmente tem orgasmos com o poder, e um homem que esconde sob um rosto inocente uma personalidade doentia e que se atribui uma missão de matar pessoas para livrá-las do sofrimento do cotidiano, motivado por um sentimento de compaixão.

Um livro cativante com personagens interessantes e um ritmo alucinante. Como thriller, merece 9 de 10 estrelas.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Torneio TVTEM de Natação

Ontem, meus filhos e eu participamos da etapa eliminatória do Torneio TVTEM de Natação no SESI de Bauru. Além do fato não muito comum de participar do mesmo torneio que os meninos, tivemos um episódio inusitado: a perda de objetos mais estranha deste mundo.

A Prefeitura Municipal de Lins havia disponibilizado um ônibus para os atletas e eu estava contente por poder viajar de ônibus e até descansar um pouco. Eu tanto contava com isso que fui dormir tarde como sempre. O encontro estava marcado para as 6 da manhã, o que é particularmente doloroso num dia de sábado.

Acordei às 5, mas somente consegui sair da cama quinze minutos depois. Ainda daria tempo. Preparei uma refeição-relâmpago para os meninos e os acordei. Eles cooperaram e correram a se aprontar.

Pouco antes das seis, a um metro da porta de entrada da casa, conferi a bagagem. Numa mochila, documentos, dinheiro, tocador de MP3, toalhas, roupas para troca, câmera etc. Numa outra mochila, mais leve, somente artigos de natação para os meninos: três pares de óculos, três tocas do time da escola, uma sunga molhada. Entreguei essa mochila mais leve a um dos meninos, frisando que eram os artigos de natação. Cinco minutos depois estávamos no carro, a caminho do ponto de encontro, no Centro Social Urbano (CSU), onde o ônibus já nos aguardava.

Descendo do carro, demos falta da mochila com os itens de natação! Onde estaria? Oscar, meu filho do meio, garantia que tinha passado a mochila para Hélio, o mais velho, que não se lembrava de nada. A mochila só poderia ter ficado em casa, provavelmente na garagem. Voltei com o Oscar para procurar a mochila; no carro, pensei em outra possibilidade: a mochila teria ficado em cima do porta-malas e teria sido derrubada pelo movimento do carro. Assim, refizemos o caminho de ida, prestando atenção em busca de uma mochila caída. Como era ainda muito cedo e estava escuro, tínhamos a esperança que ninguém tivesse pego a mochila possivelmente caída.

Nada de mochila pelo caminho. E nada em casa também. Procuramos na garagem, jardim, todos os cômodos da casa, incluindo os lugares mais absurdos, e nada. Resolver refazer novamente o caminho de carro, pois a hora da partida do ônibus já se aproximava, e nada de mochila. Mandei os meninos de ônibus para Bauru (pois já eram 6h30m) e voltei para procurar de novo, primeiro no caminho, depois em casa. Nada. Fiquei desolado e frustrado. Não sabia o que fazer.

Sou um mestre em perder as coisas (já perdi minhas chaves umas cinqüenta vezes!), mas desta vez me superei, com a ajuda dos meus meninos super-poderosos. Como é que perdemos uma mochila assim, sendo que somente cerca de 3 metros separavam o lugar onde havia deixado a mochila e o carro?

Pensei em desistir e dormir. Sentei-me no sofá, desolado e cheguei a ligar a TV para me acalmar. Mas aí o lado racional começou a funcionar. Os meninos provavelmente se sairiam bem sozinhos, pois muitas vezes viajaram sem mim para torneios de beisebol, principalmente. Mas teriam que pegar óculos de natação emprestados, dinheiro emprestado para almoçar. O Francis teria que nadar com sunga emprestada, pois sua sunga molhada estava na mochila perdida. Felizmente os outros tinham já ido com suas sungas por baixo das bermudas. Mas o pior seria que, se eu não fosse, eles sentiriam minha ausência na torcida e se sentiriam mais culpados pelo que tinha acontecido. Pensei e, com um sentimento de culpa, resolvi ir. Já eram 7h30m.

Corri a pegar uma outra sunga para o Francis, alguns pares de óculos de natação de reserva, conferi a mochila e fui. Como a esperança é a última que morre, mais uma vez refiz o caminho para o CSU, embora o dia já estivesse movimentado. Enchi o tanque do carro e rumei para Bauru. Consegui encontrar o local do torneio, o SESI, às 8h55m, pouco antes do início das provas, previstas para as 9h. O Francis estava com uma enorme sunga emprestada que parecia uma fralda. Ele correu a trocá-la pela sunga que eu levava, pois seria um dos primeiros a nadar. Disse aos meninos que não estava mais bravo com eles para que eles pudessem ficar mais soltos.

As competições correram tranqüilas. Em cada categoria, somente os 18 primeiros se classificam para a final no próximo sábado. O Francis, com 19'72 nos 25m livres, foi o terceiro colocado geral da categoria Mirim I. Foi uma proeza e tanto, haja vista que os dois primeiros colocados são quase um ano mais velho que ele --- grande diferença na categoria ---, que foi o mais jovem da categoria. O Oscar, com 16'07, foi o primeiro colocado geral da Mirim II. O Hélio, cuja especialidade não é o nado livre, ficou com a 26a. posição na categoria Infantil e não se classificou; foi uma pena e eu fiquei triste, mas ele não nadou mal e é preciso levar em conta que a categoria continha crianças mais velhas que ele. Eu, que nadei na categoria Master, fui o sexto nos 50m livres com o tempo de 32'09, que não é ruim para minha idade. Acho que poderia ter ganho um segundo se não tivesse errado o ponto de virada.

Ao final da competição ainda encontramos meu irmão Marinho, que foi até o SESI nos ver quando soube por minha mãe que estávamos na cidade. Eles não chegaram a tempo de ver os meninos nadando, mas pelo menos deu para almoçarmos juntos.

Graças a Deus eu não deixei a perda da mochila estragar nosso dia. Afinal, ninguém se machucou e não perdemos nada irrecuperável. Já pensou se fosse a outra mochila, com dinheiro, documentos e tudo mais? Tomara que eu siga tendo esses momentos de lucidez daqui por diante. Mas talvez o mais importante seja me organizar um pouco melhor, objetivo que persigo há muito, sem sucesso.

Nota: Ainda tenho uma pequena esperança de recuperar a mochila, cujo conteúdo provavelmente não será de muita utilidade para quem a encontrou. As tocas têm o nome da escola dos meninos, e os seus nomes estão escritos nas tocas. Se uma boa alma tiver encontrado a mochila, quem sabe não contactará a escola e devolverá os pertences? Acreditar que ainda há bondade na espécie humana não custa, não é?

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lula, Presidente dos Banqueiros e dos Sem-Terra

Cada vez mais me convenço de que as duas categorias que mais se beneficiam no governo Lula são a dos banqueiros e a dos trabalhadores sem-terra. A segunda, por motivos ideológicos óbvios, nunca recebeu tanta atenção e verba do governo. O que espanta é a farra dos banqueiros.

Até pouco tempo atrás eu tinha aplicações significativas em bancos, que me rendiam bons juros todo santo dia. No ano passado, fui vítima de um estelionatário que me está fazendo conhecer o outro lado da história: tornei-me um devedor. Ah, como é cruel a vida para quem deve neste país. Passei de investidor a devedor, e as mudanças de tratamento pelos bancos são evidentes.

É claro que não estou sozinho, pois vivemos num país onde ter dívidas é algo cultural. Chegamos ao absurdo de exportar a idéia de cheques pré-datados, coisa que inexiste em países desenvolvidos. Parcelar compras no cartão de crédito também parece ser uma invenção brasileira, muito embora os cartões já fossem populares em outros países décadas antes do dinheiro de plástico chegar ao Brasil.

Os economistas dizem que contrair dívidas é algo essencialmente bom, pois movimenta a economia. Isso é verdade quando as dívidas não embutem juros extorsivos, como os praticados no Brasil. A maior parte da população nem se dá conta de como os juros são altos no Brasil, principalmente se considerarmos que a inflação tem estado sob controle há um bom tempo.

Semanas atrás peguei panfletos das Casas Bahia e da Du Do Ny --- acho que é assim que se escreve e, se não for, não me importa --- e os levei para mostrar a uns amigos. No final do panfleto, escondido em letras miúdas, estavam notas explicativas esclarecendo os juros praticados nas prestações. Os valores chegavam a praticamente 100% ao ano!

E os bancos privados, que tanto temiam Lula antes que ele vencesse as primeiras eleições, hoje devem agradecer a ele todas os dias. Nunca houve um presidente que fizesse tanto pelos banqueiros. Além de poderem cobrar taxas sobre qualquer servicinho, os bancos se beneficiam do privilégio de poder cobrar juros absurdos nos empréstimos.

Aos pobres mortais como nós, só nos resta pagar. Tive um acesso de raiva hoje quando constatei que pago taxas anuais de 45% num empréstimo que fiz recentemente. É agiotagem legalizada. Não é de admirar que os bancos sejam os grandes contribuidores das campanhas do PT, por mais absurdo que isso possa parecer.

Hoje à tarde estive no Santander para encerrar uma conta. Tive péssimas experiências lá e o banco é tão ineficiente que, entre o meu pedido formal de encerramento da conta e a real implementação da medida, passou-se quase um ano. Felizmente, depois de várias visitas, consegui encerrar a conta. Comentei com o gerente que havia lido que os executivos do Santander estavam considerando fechar o Banespa, ao que ele me respondeu mostrando os números do banco: eles lucraram mais de 1 bilhão de reais somente com o Banespa no ano passado. "Os espanhóis adoram dinheiro. Você acha que eles vão realmente fechar o Banespa?", foi o que ele me disse. De fato, o Brasil é o paraíso dos bancos.

Bom, jurei para mim que vou deixar de ser devedor e voltar a ser investidor em pouco tempo. Ah, que saudade dos tempos de investidor!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

A Cara-de-Pau da Microsoft

Passei uma parte das minhas "férias" estudando a plataforma .NET da Microsoft para um curso que vou dar neste semestre e no próximo. Para conhecedores de Java, a sensação de dèjá vu é uma constante: compilação para linguagem intermediária, coletor de lixo etc. É impressionante como a Microsoft consegue apresentar idéias de outros como sendo suas... e Bill Gates ainda tem a cara-de-pau de chamar isso de inovações.

Admiro a Microsoft pela sua capacidade de desenvolver projetos de software realmente leviatânicos. Por exemplo, estima-se o tamanho do Windows Vista em nada menos que 50 milhões de linhas de código! Mas pelo que tenho lido na imprensa técnica, as "inovadoras" características do Vista já são antigas em algumas versões do Linux e no MacOS X. Aliás, o Windows 3.1 da Microsoft foi uma versão piorada do primeiro MacOS - ok, temos que admitir que as idéias originais de interfaces gráficas e uso do mouse nasceram nos laboratórios da Xerox em Palo Alto -, e desde então não há nada que o pessoal da Apple faça que não seja copiado alguns anos depois pela Microsoft. Foi assim com iPod e agora, com o Vista.

Acredito que, com o passar do tempo, vou acabar me rendendo como todo mundo e instalar o Vista em pelo menos uma máquina em casa, mas por enquanto não estou convencido de que vá ter alguma vantagem em fazê-lo, principalmente em se considerando os preços absurdos das licenças.

Um caso mais recente dessa cara-de-pau da Microsoft é a cópia da idéia de Object Bench no Microsoft Visual Studio 2005. A idéia foi copiada integralmente do BlueJ, um ambiente gratuito para aprendizagem de programação orientada a objetos em Java desenvolvido numa universidade australiana por uma equipe liderada pelo professor Michael Kölling. Pois bem, a Microsoft copiou a idéia integralmente, mantendo até as mesmas mensagens e menus. Para piorar, nem citou quem era o autor da idéia original. Para piorar ainda mais (se é possível), a Microsoft teve a petulância de requerer patente disso! Detalhes dessa história e comentários de Kölling podem ser vistos no blog de Ed Burnette. As imagens abaixo mostram a interface original do BlueJ e a cópia descarada da Microsoft, respectivamente. Até os comentários são os mesmos!













O sucesso da Microsoft é uma triste constatação de que a cópia, às vezes, compensa, e muito.

Fim de Férias

Grande parte das pessoas tem a idéia errada de que as férias dos professores universitários - como eu - são demasiadamente longas. Para uma minoria que de fato descansa a maior parte do tempo em que não há aulas, pode ser. Para mim, em particular, não sobra tempo para nada.

Planejei várias coisas para as "férias", mas não consegui fazer mais que a metade, quando muito. Separei muito material para estudar, livros para ler e reler, pesquisas a fazer etc. E agora as aulas já estão para começar de novo e vem aquela sensação de desespero.

É claro que fiz algumas "boas" coisas. Passei muito mais tempo com meus meninos, viajei por uma semana para o litoral norte paulista, onde consegui a proeza de ficar uma semana sem acessar a Internet e, pela primeira vez na vida, experimentei a deliciosa sensação de fazer jogging descalço na praia. Além disso, li alguns livros, vi minhas séries preferidas na TV paga e estudei.

Estudei algo praticamente todos os dias. Raríssimos são os dias em que não dedico algumas horas ao estudo e pesquisa e acho que isso não vai mudar até a morte. Talvez as férias não estejam terminando, não. Talvez jamais tenham começado de fato.