quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Livro: Dark Rivers of the Heart por Dean Koontz

Comprei esse livro há um bom tempo e finalmente pude lê-lo durante as últimas férias. Trata-se de uma outra obra prima de Dean Koontz, seguramente um de meus autores prediletos, um escritor completo que infelizmente é pouco conhecido no Brasil. Koontz deixa literalmente no chinelo escritores como Dan Brown e me faz ter vergonha de Paulo Coelho. As personagens são bem construídas, as tramas são complexas mas não deixam buracos, as descrições chegam a ser poéticas.

O livro faz jus à categoria dos unputdownable thrillers --- algo mais ou menos como um livro de suspense que não dá para largar. Spencer Grant é um homem solitário marcado por uma enorme cicatriz no rosto e um passado funesto. Ex-militar e policial condecorado, Spencer tem como único amigo um cachorro chamado Rocky, que adotou num abrigo para cães maltratados. A vida de Spencer muda subitamente quando ele conhece Valerie Keene e passa a ter esperanças de ter uma vida normal a seu lado. Eis que Valerie é uma mulher envolta em mistério, perseguida por uma agência secreta financiada pelo governo americano. Guiado pelo instinto, Spencer resolve sua vida --- e a de Rocky --- para salvar Valerie. No desenrolar da história surgem personagens fantásticas que ganham verossimilhança nas descrições hábeis de Koontz: um assassino serial que mata e tortura somente para extrair um momento de beleza perfeita de suas vítimas, uma mulher inescrupulosa de beleza descomunal que literalmente tem orgasmos com o poder, e um homem que esconde sob um rosto inocente uma personalidade doentia e que se atribui uma missão de matar pessoas para livrá-las do sofrimento do cotidiano, motivado por um sentimento de compaixão.

Um livro cativante com personagens interessantes e um ritmo alucinante. Como thriller, merece 9 de 10 estrelas.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Torneio TVTEM de Natação

Ontem, meus filhos e eu participamos da etapa eliminatória do Torneio TVTEM de Natação no SESI de Bauru. Além do fato não muito comum de participar do mesmo torneio que os meninos, tivemos um episódio inusitado: a perda de objetos mais estranha deste mundo.

A Prefeitura Municipal de Lins havia disponibilizado um ônibus para os atletas e eu estava contente por poder viajar de ônibus e até descansar um pouco. Eu tanto contava com isso que fui dormir tarde como sempre. O encontro estava marcado para as 6 da manhã, o que é particularmente doloroso num dia de sábado.

Acordei às 5, mas somente consegui sair da cama quinze minutos depois. Ainda daria tempo. Preparei uma refeição-relâmpago para os meninos e os acordei. Eles cooperaram e correram a se aprontar.

Pouco antes das seis, a um metro da porta de entrada da casa, conferi a bagagem. Numa mochila, documentos, dinheiro, tocador de MP3, toalhas, roupas para troca, câmera etc. Numa outra mochila, mais leve, somente artigos de natação para os meninos: três pares de óculos, três tocas do time da escola, uma sunga molhada. Entreguei essa mochila mais leve a um dos meninos, frisando que eram os artigos de natação. Cinco minutos depois estávamos no carro, a caminho do ponto de encontro, no Centro Social Urbano (CSU), onde o ônibus já nos aguardava.

Descendo do carro, demos falta da mochila com os itens de natação! Onde estaria? Oscar, meu filho do meio, garantia que tinha passado a mochila para Hélio, o mais velho, que não se lembrava de nada. A mochila só poderia ter ficado em casa, provavelmente na garagem. Voltei com o Oscar para procurar a mochila; no carro, pensei em outra possibilidade: a mochila teria ficado em cima do porta-malas e teria sido derrubada pelo movimento do carro. Assim, refizemos o caminho de ida, prestando atenção em busca de uma mochila caída. Como era ainda muito cedo e estava escuro, tínhamos a esperança que ninguém tivesse pego a mochila possivelmente caída.

Nada de mochila pelo caminho. E nada em casa também. Procuramos na garagem, jardim, todos os cômodos da casa, incluindo os lugares mais absurdos, e nada. Resolver refazer novamente o caminho de carro, pois a hora da partida do ônibus já se aproximava, e nada de mochila. Mandei os meninos de ônibus para Bauru (pois já eram 6h30m) e voltei para procurar de novo, primeiro no caminho, depois em casa. Nada. Fiquei desolado e frustrado. Não sabia o que fazer.

Sou um mestre em perder as coisas (já perdi minhas chaves umas cinqüenta vezes!), mas desta vez me superei, com a ajuda dos meus meninos super-poderosos. Como é que perdemos uma mochila assim, sendo que somente cerca de 3 metros separavam o lugar onde havia deixado a mochila e o carro?

Pensei em desistir e dormir. Sentei-me no sofá, desolado e cheguei a ligar a TV para me acalmar. Mas aí o lado racional começou a funcionar. Os meninos provavelmente se sairiam bem sozinhos, pois muitas vezes viajaram sem mim para torneios de beisebol, principalmente. Mas teriam que pegar óculos de natação emprestados, dinheiro emprestado para almoçar. O Francis teria que nadar com sunga emprestada, pois sua sunga molhada estava na mochila perdida. Felizmente os outros tinham já ido com suas sungas por baixo das bermudas. Mas o pior seria que, se eu não fosse, eles sentiriam minha ausência na torcida e se sentiriam mais culpados pelo que tinha acontecido. Pensei e, com um sentimento de culpa, resolvi ir. Já eram 7h30m.

Corri a pegar uma outra sunga para o Francis, alguns pares de óculos de natação de reserva, conferi a mochila e fui. Como a esperança é a última que morre, mais uma vez refiz o caminho para o CSU, embora o dia já estivesse movimentado. Enchi o tanque do carro e rumei para Bauru. Consegui encontrar o local do torneio, o SESI, às 8h55m, pouco antes do início das provas, previstas para as 9h. O Francis estava com uma enorme sunga emprestada que parecia uma fralda. Ele correu a trocá-la pela sunga que eu levava, pois seria um dos primeiros a nadar. Disse aos meninos que não estava mais bravo com eles para que eles pudessem ficar mais soltos.

As competições correram tranqüilas. Em cada categoria, somente os 18 primeiros se classificam para a final no próximo sábado. O Francis, com 19'72 nos 25m livres, foi o terceiro colocado geral da categoria Mirim I. Foi uma proeza e tanto, haja vista que os dois primeiros colocados são quase um ano mais velho que ele --- grande diferença na categoria ---, que foi o mais jovem da categoria. O Oscar, com 16'07, foi o primeiro colocado geral da Mirim II. O Hélio, cuja especialidade não é o nado livre, ficou com a 26a. posição na categoria Infantil e não se classificou; foi uma pena e eu fiquei triste, mas ele não nadou mal e é preciso levar em conta que a categoria continha crianças mais velhas que ele. Eu, que nadei na categoria Master, fui o sexto nos 50m livres com o tempo de 32'09, que não é ruim para minha idade. Acho que poderia ter ganho um segundo se não tivesse errado o ponto de virada.

Ao final da competição ainda encontramos meu irmão Marinho, que foi até o SESI nos ver quando soube por minha mãe que estávamos na cidade. Eles não chegaram a tempo de ver os meninos nadando, mas pelo menos deu para almoçarmos juntos.

Graças a Deus eu não deixei a perda da mochila estragar nosso dia. Afinal, ninguém se machucou e não perdemos nada irrecuperável. Já pensou se fosse a outra mochila, com dinheiro, documentos e tudo mais? Tomara que eu siga tendo esses momentos de lucidez daqui por diante. Mas talvez o mais importante seja me organizar um pouco melhor, objetivo que persigo há muito, sem sucesso.

Nota: Ainda tenho uma pequena esperança de recuperar a mochila, cujo conteúdo provavelmente não será de muita utilidade para quem a encontrou. As tocas têm o nome da escola dos meninos, e os seus nomes estão escritos nas tocas. Se uma boa alma tiver encontrado a mochila, quem sabe não contactará a escola e devolverá os pertences? Acreditar que ainda há bondade na espécie humana não custa, não é?

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lula, Presidente dos Banqueiros e dos Sem-Terra

Cada vez mais me convenço de que as duas categorias que mais se beneficiam no governo Lula são a dos banqueiros e a dos trabalhadores sem-terra. A segunda, por motivos ideológicos óbvios, nunca recebeu tanta atenção e verba do governo. O que espanta é a farra dos banqueiros.

Até pouco tempo atrás eu tinha aplicações significativas em bancos, que me rendiam bons juros todo santo dia. No ano passado, fui vítima de um estelionatário que me está fazendo conhecer o outro lado da história: tornei-me um devedor. Ah, como é cruel a vida para quem deve neste país. Passei de investidor a devedor, e as mudanças de tratamento pelos bancos são evidentes.

É claro que não estou sozinho, pois vivemos num país onde ter dívidas é algo cultural. Chegamos ao absurdo de exportar a idéia de cheques pré-datados, coisa que inexiste em países desenvolvidos. Parcelar compras no cartão de crédito também parece ser uma invenção brasileira, muito embora os cartões já fossem populares em outros países décadas antes do dinheiro de plástico chegar ao Brasil.

Os economistas dizem que contrair dívidas é algo essencialmente bom, pois movimenta a economia. Isso é verdade quando as dívidas não embutem juros extorsivos, como os praticados no Brasil. A maior parte da população nem se dá conta de como os juros são altos no Brasil, principalmente se considerarmos que a inflação tem estado sob controle há um bom tempo.

Semanas atrás peguei panfletos das Casas Bahia e da Du Do Ny --- acho que é assim que se escreve e, se não for, não me importa --- e os levei para mostrar a uns amigos. No final do panfleto, escondido em letras miúdas, estavam notas explicativas esclarecendo os juros praticados nas prestações. Os valores chegavam a praticamente 100% ao ano!

E os bancos privados, que tanto temiam Lula antes que ele vencesse as primeiras eleições, hoje devem agradecer a ele todas os dias. Nunca houve um presidente que fizesse tanto pelos banqueiros. Além de poderem cobrar taxas sobre qualquer servicinho, os bancos se beneficiam do privilégio de poder cobrar juros absurdos nos empréstimos.

Aos pobres mortais como nós, só nos resta pagar. Tive um acesso de raiva hoje quando constatei que pago taxas anuais de 45% num empréstimo que fiz recentemente. É agiotagem legalizada. Não é de admirar que os bancos sejam os grandes contribuidores das campanhas do PT, por mais absurdo que isso possa parecer.

Hoje à tarde estive no Santander para encerrar uma conta. Tive péssimas experiências lá e o banco é tão ineficiente que, entre o meu pedido formal de encerramento da conta e a real implementação da medida, passou-se quase um ano. Felizmente, depois de várias visitas, consegui encerrar a conta. Comentei com o gerente que havia lido que os executivos do Santander estavam considerando fechar o Banespa, ao que ele me respondeu mostrando os números do banco: eles lucraram mais de 1 bilhão de reais somente com o Banespa no ano passado. "Os espanhóis adoram dinheiro. Você acha que eles vão realmente fechar o Banespa?", foi o que ele me disse. De fato, o Brasil é o paraíso dos bancos.

Bom, jurei para mim que vou deixar de ser devedor e voltar a ser investidor em pouco tempo. Ah, que saudade dos tempos de investidor!