quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Lula, Presidente dos Banqueiros e dos Sem-Terra

Cada vez mais me convenço de que as duas categorias que mais se beneficiam no governo Lula são a dos banqueiros e a dos trabalhadores sem-terra. A segunda, por motivos ideológicos óbvios, nunca recebeu tanta atenção e verba do governo. O que espanta é a farra dos banqueiros.

Até pouco tempo atrás eu tinha aplicações significativas em bancos, que me rendiam bons juros todo santo dia. No ano passado, fui vítima de um estelionatário que me está fazendo conhecer o outro lado da história: tornei-me um devedor. Ah, como é cruel a vida para quem deve neste país. Passei de investidor a devedor, e as mudanças de tratamento pelos bancos são evidentes.

É claro que não estou sozinho, pois vivemos num país onde ter dívidas é algo cultural. Chegamos ao absurdo de exportar a idéia de cheques pré-datados, coisa que inexiste em países desenvolvidos. Parcelar compras no cartão de crédito também parece ser uma invenção brasileira, muito embora os cartões já fossem populares em outros países décadas antes do dinheiro de plástico chegar ao Brasil.

Os economistas dizem que contrair dívidas é algo essencialmente bom, pois movimenta a economia. Isso é verdade quando as dívidas não embutem juros extorsivos, como os praticados no Brasil. A maior parte da população nem se dá conta de como os juros são altos no Brasil, principalmente se considerarmos que a inflação tem estado sob controle há um bom tempo.

Semanas atrás peguei panfletos das Casas Bahia e da Du Do Ny --- acho que é assim que se escreve e, se não for, não me importa --- e os levei para mostrar a uns amigos. No final do panfleto, escondido em letras miúdas, estavam notas explicativas esclarecendo os juros praticados nas prestações. Os valores chegavam a praticamente 100% ao ano!

E os bancos privados, que tanto temiam Lula antes que ele vencesse as primeiras eleições, hoje devem agradecer a ele todas os dias. Nunca houve um presidente que fizesse tanto pelos banqueiros. Além de poderem cobrar taxas sobre qualquer servicinho, os bancos se beneficiam do privilégio de poder cobrar juros absurdos nos empréstimos.

Aos pobres mortais como nós, só nos resta pagar. Tive um acesso de raiva hoje quando constatei que pago taxas anuais de 45% num empréstimo que fiz recentemente. É agiotagem legalizada. Não é de admirar que os bancos sejam os grandes contribuidores das campanhas do PT, por mais absurdo que isso possa parecer.

Hoje à tarde estive no Santander para encerrar uma conta. Tive péssimas experiências lá e o banco é tão ineficiente que, entre o meu pedido formal de encerramento da conta e a real implementação da medida, passou-se quase um ano. Felizmente, depois de várias visitas, consegui encerrar a conta. Comentei com o gerente que havia lido que os executivos do Santander estavam considerando fechar o Banespa, ao que ele me respondeu mostrando os números do banco: eles lucraram mais de 1 bilhão de reais somente com o Banespa no ano passado. "Os espanhóis adoram dinheiro. Você acha que eles vão realmente fechar o Banespa?", foi o que ele me disse. De fato, o Brasil é o paraíso dos bancos.

Bom, jurei para mim que vou deixar de ser devedor e voltar a ser investidor em pouco tempo. Ah, que saudade dos tempos de investidor!

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