Declaração a Isabela Boscov
Se você pudesse escolher algumas pessoas do mundo, contemporâneo ou não, para que se tornassem seus amigos para conversar sobre tópicos diversos, quem escolheria? Eu já me fiz essa pergunta algumas vezes.
As respostas variam com o tempo, com a ocasião etc. Há personagens históricos que me fascinam e cuja mente gostaria de conhecer, pelo menos um pouco. Entre eles estão Aristóteles, Leonardo da Vinci, Charles Darwin, Albert Einstein, Mozart, Victor Hugo. Entre os contemporâneos, a lista é consideravelmente mais modesta.
O cineasta Quentin Tarantino, o visionário Steve Jobs, a cantora Enya (por que não?), escritores como Dean Koonz e Patricia Cornwell, a lista se alonga ecleticamente. Nas minhas listas mais recentes figura o nome de uma ilustre desconhecida, Isabela Boscov, comentarista de cinema da Revista Veja.
Já há um bom tempo busco avidamente seus artigos, além do ponto de vista inteligente de Roberto Pompeu de Toledo e do sarcasmo perturbador de Diogo Mainardi. Procurei uma foto de Isabela na Internet e não consegui nada; descobri que ela se graduou pela ECA, a Escola de Comunicações e Arte da USP, e teve passagens anteriores pelo caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, e pela revista Set.
Isabela Boscov nos agracia com textos eruditos e pontos de vista polêmicos. É evidente que não dá para concordar com suas críticas sempre, mas eu adoraria assistir a um filme com ela e depois discuti-lo despreocupadamente. Creio que as emissoras de televisão erram feio quando escalam Rubens Ewald Filho para comentar filmes e cerimônias de entrega do Oscar. Os comentários de Rubens são previsíveis e não soam como suas próprias idéias; Isabela Boscov é o nome da vez.
Nota: Para ver como são as coisas. Depois de escrever o texto acima, achei um texto de Marcel Nadale exaltando Isabela Boscov como a melhor crítica de cinema do Brasil. Nadale conheceu pessoalmente Boscov, a quem pôde entrevistar, e revela que Boscov vê de 12 a 15 filmes semanais, dos quais comenta não mais que três, e se dedica profissionalmente não somente ao cinema, mas também ao teatro, literatura, música, política, ciência e economia. Nada que surpreenda a quem conhece a riqueza de seus textos.

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