terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Livro: Os Homens que Não Amavam as Mulheres por Stieg Larsson

Apesar do título estranho e autor desconhecido, interessei-me pelo livro exposto numa livraria de São Paulo e resolvi adquiri-lo depois de ler uma breve sinopse. O livro é bem escrito, com personagens bem desenvolvidas e um mistério interessante. Trata-se do primeiro da trilogia Millenium, do jornalista sueco Stieg Larsson. Aliás, foi meu primeiro livro de um autor sueco e o primeiro ambientado na Suécia, o que por si só já representa um atrativo.

Mas a história contada no livro poderia acontecer em qualquer lugar do mundo e o autor pouco explora as peculiaridades do país; uma das poucas coisas que o livro traz que provavelmente não tem paralelos em muitos lugares do mundo é um sistema prisional altamente liberal, mas isso tem importância secundária no contexto.

Mikael Blomkvist é um jornalista econômico, editor e co-proprietário de uma revista mensal chamada Millenium, cujo foco é o mundo dos negócios. Recém condenado por difamação a pagamento de indenização e três meses de prisão (extremamente light, diga-se de passagem), Blomkvist recebe uma proposta estranha: investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, uma adolescente que sumira nos anos 60 de forma misteriosa. Henrik Vanger, um senhor idoso que fora um dos maiores comandantes da indústria sueca por muito tempo, dedicara quarenta anos de sua vida à elucidação do mistério do desaparecimento de sua querida sobrinha-neta. Nenhum corpo fora encontrado, mas Henrik suspeita de alguém dentro do clã Vanger, uma família com muitos membros vis e deploráveis.

Blomkvist aceita o convite sem nenhuma esperança de lançar luz sobre o mistério, mas sua perspicácia acaba por desvendar verdades mais macabras do que poderia imaginar. Em sua saga, Blomkvist é ajudado por Lisbeth Salander, uma jovem punk, anoréxica, cheia de tatuagens e piercings, extremamente anti-social e com uma personalidade única, mas uma hacker de primeira linha. Aliás, Salander é tão marcante que o título em inglês do livro pode ser traduzido como A Garota com a Tatuagem de Dragão e deve ser por esse motivo que a capa da edição em português traz um dragão.

Essa improvável dupla apimenta a história, que também envolve reflexões sobre ética no jornalismo, violência sexual, segurança e privacidade na Internet, liberdade de imprensa etc. A história é muito original e bem contada, sem detalhes esquecidos. Como não leio sueco e a edição em português foi feita com base na edição francesa, é difícil saber o que foi perdido na tradução, mas o tradutor parece ter feito um bom trabalho. Pelo menos o resultado representa uma leitura agradável.

Acredito que todos que lerem este livro desejarão ler também os outros dois volumes da trilogia, no momento ainda inéditos no Brasil. A nota triste é que o autor, Stieg Larsson, morreu pouco depois de finalizar os livros, aos 50 anos. Certamente seu legado ficará na lembrança de muitos.

Classificação: 8 entre 10 estrelas

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