quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

A Cara-de-Pau da Microsoft

Passei uma parte das minhas "férias" estudando a plataforma .NET da Microsoft para um curso que vou dar neste semestre e no próximo. Para conhecedores de Java, a sensação de dèjá vu é uma constante: compilação para linguagem intermediária, coletor de lixo etc. É impressionante como a Microsoft consegue apresentar idéias de outros como sendo suas... e Bill Gates ainda tem a cara-de-pau de chamar isso de inovações.

Admiro a Microsoft pela sua capacidade de desenvolver projetos de software realmente leviatânicos. Por exemplo, estima-se o tamanho do Windows Vista em nada menos que 50 milhões de linhas de código! Mas pelo que tenho lido na imprensa técnica, as "inovadoras" características do Vista já são antigas em algumas versões do Linux e no MacOS X. Aliás, o Windows 3.1 da Microsoft foi uma versão piorada do primeiro MacOS - ok, temos que admitir que as idéias originais de interfaces gráficas e uso do mouse nasceram nos laboratórios da Xerox em Palo Alto -, e desde então não há nada que o pessoal da Apple faça que não seja copiado alguns anos depois pela Microsoft. Foi assim com iPod e agora, com o Vista.

Acredito que, com o passar do tempo, vou acabar me rendendo como todo mundo e instalar o Vista em pelo menos uma máquina em casa, mas por enquanto não estou convencido de que vá ter alguma vantagem em fazê-lo, principalmente em se considerando os preços absurdos das licenças.

Um caso mais recente dessa cara-de-pau da Microsoft é a cópia da idéia de Object Bench no Microsoft Visual Studio 2005. A idéia foi copiada integralmente do BlueJ, um ambiente gratuito para aprendizagem de programação orientada a objetos em Java desenvolvido numa universidade australiana por uma equipe liderada pelo professor Michael Kölling. Pois bem, a Microsoft copiou a idéia integralmente, mantendo até as mesmas mensagens e menus. Para piorar, nem citou quem era o autor da idéia original. Para piorar ainda mais (se é possível), a Microsoft teve a petulância de requerer patente disso! Detalhes dessa história e comentários de Kölling podem ser vistos no blog de Ed Burnette. As imagens abaixo mostram a interface original do BlueJ e a cópia descarada da Microsoft, respectivamente. Até os comentários são os mesmos!













O sucesso da Microsoft é uma triste constatação de que a cópia, às vezes, compensa, e muito.

Fim de Férias

Grande parte das pessoas tem a idéia errada de que as férias dos professores universitários - como eu - são demasiadamente longas. Para uma minoria que de fato descansa a maior parte do tempo em que não há aulas, pode ser. Para mim, em particular, não sobra tempo para nada.

Planejei várias coisas para as "férias", mas não consegui fazer mais que a metade, quando muito. Separei muito material para estudar, livros para ler e reler, pesquisas a fazer etc. E agora as aulas já estão para começar de novo e vem aquela sensação de desespero.

É claro que fiz algumas "boas" coisas. Passei muito mais tempo com meus meninos, viajei por uma semana para o litoral norte paulista, onde consegui a proeza de ficar uma semana sem acessar a Internet e, pela primeira vez na vida, experimentei a deliciosa sensação de fazer jogging descalço na praia. Além disso, li alguns livros, vi minhas séries preferidas na TV paga e estudei.

Estudei algo praticamente todos os dias. Raríssimos são os dias em que não dedico algumas horas ao estudo e pesquisa e acho que isso não vai mudar até a morte. Talvez as férias não estejam terminando, não. Talvez jamais tenham começado de fato.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Filme: Aeroporto (Airport)

Dormi vendo televisão e acordei de madrugada. Já ia desligar a TV quando percebi que um clássico estava sendo exibido. Com elenco estelar e um roteiro cheio de personagens interessantes, Aeroporto criou o gênero de filmes sobre catástrofes.

Burt Lancaster é o diretor geral de um aeroporto metropolitano e se vê diante de uma série de problemas agravada por uma terrível nevasca. Van Heflin está convincente como um sujeito transtornado e fracassado, que faz uma apólice de seguros em nome da mulher, penhora um anel da família e compra uma passagem de ida para Roma, carregando uma bomba de fabricação doméstica que pretende detonar sobre o Atlântico. Dean Martin comanda o avião, um Boeing 707, enquanto mantém um caso com uma aeromoça interpretada pela linda Jacqueline Bisset. Ainda há a interpretação magistral de Helen Hayes como uma velhinha habituada a aplicar golpes engenhosos para viajar de graça, desempenho que lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante.

Roteiro cativante, personagens interessantes, ótimas atuações. É saudoso notar as músicas simples de fundo --- embora o tema principal, dos momentos de suspense, seja um clássico --- e as ações sem a apelação dos efeitos especiais de hoje. O filme traz também saudade de meu finado pai, que embora pouco tenha estudado, conhecia muito bem os atores de Hollywood e certamente influenciou meu interesse pelo cinema.

  • Título em inglês: Airport
  • Ano de lançamento: 1970
  • Diretor: George Seaton
  • Baseado no livro de Arthur Hailey
  • Elenco: Burt Lancaster (Mel Bakersfeld), Dean Martin (Capitão Vernon Demerest), Jean Seberg (Tanya Livingston), Jaqueline Bisset (Gwen Meigen), George Kennedy (Joe Patroni), Helen Hayes (Ada Quonsett)
  • Resumo: Um homem fracassado no emprego decide explodir uma bomba de fabricação caseira num vôo para Roma, que parte sob uma nevasca. A história foca o diretor do aeroporto, o comandante da aeronave e vários outras histórias secundárias.
  • Nota: 8 estrelas de 10.

Declaração a Isabela Boscov

Se você pudesse escolher algumas pessoas do mundo, contemporâneo ou não, para que se tornassem seus amigos para conversar sobre tópicos diversos, quem escolheria? Eu já me fiz essa pergunta algumas vezes.

As respostas variam com o tempo, com a ocasião etc. Há personagens históricos que me fascinam e cuja mente gostaria de conhecer, pelo menos um pouco. Entre eles estão Aristóteles, Leonardo da Vinci, Charles Darwin, Albert Einstein, Mozart, Victor Hugo. Entre os contemporâneos, a lista é consideravelmente mais modesta.

O cineasta Quentin Tarantino, o visionário Steve Jobs, a cantora Enya (por que não?), escritores como Dean Koonz e Patricia Cornwell, a lista se alonga ecleticamente. Nas minhas listas mais recentes figura o nome de uma ilustre desconhecida, Isabela Boscov, comentarista de cinema da Revista Veja.

Já há um bom tempo busco avidamente seus artigos, além do ponto de vista inteligente de Roberto Pompeu de Toledo e do sarcasmo perturbador de Diogo Mainardi. Procurei uma foto de Isabela na Internet e não consegui nada; descobri que ela se graduou pela ECA, a Escola de Comunicações e Arte da USP, e teve passagens anteriores pelo caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, e pela revista Set.

Isabela Boscov nos agracia com textos eruditos e pontos de vista polêmicos. É evidente que não dá para concordar com suas críticas sempre, mas eu adoraria assistir a um filme com ela e depois discuti-lo despreocupadamente. Creio que as emissoras de televisão erram feio quando escalam Rubens Ewald Filho para comentar filmes e cerimônias de entrega do Oscar. Os comentários de Rubens são previsíveis e não soam como suas próprias idéias; Isabela Boscov é o nome da vez.

Nota: Para ver como são as coisas. Depois de escrever o texto acima, achei um texto de Marcel Nadale exaltando Isabela Boscov como a melhor crítica de cinema do Brasil. Nadale conheceu pessoalmente Boscov, a quem pôde entrevistar, e revela que Boscov vê de 12 a 15 filmes semanais, dos quais comenta não mais que três, e se dedica profissionalmente não somente ao cinema, mas também ao teatro, literatura, música, política, ciência e economia. Nada que surpreenda a quem conhece a riqueza de seus textos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Orgulho de Pai É Coisa Séria

Meu filho mais novo, Francis Akira, foi "premiado" com um dente supranumerário, ou seja, um dente extra. Esse dente foi descoberto numa radiografia tirada pouco antes do fim de 2006 e já era enorme, crescido por dentro do céu da boca, impedindo um incisivo superior de erupcionar. Não havia saída senão uma cirurgia, marcada para segunda semana de janeiro.

À exceção do mais velho, que tem horror a agulhas, meus filhos não costumam dar trabalho em médicos e dentistas. O Francis já chegou a dormir na cadeira de dentista no passado. Desta vez, porém, a coisa parecia mais séria, tanto é que dois dentistas, dr. Maurício Bergamaschi e sua esposa, realizariam a cirurgia.

No dia da cirurgia, o dr. Maurício me chamou e perguntou como estava o Francis. Disse-lhe que o menino estava ótimo e pouco depois lá foi o Francis, sorridente, para a cirurgia. Passados 80 minutos, a cirurgia terminou e os dentistas ficaram surpresos com a tranqüilidade do menino. Eu, é óbvio, fiquei todo orgulhoso dessa demonstração de coragem.

O episódio acima ilustra algo que acontece o tempo todo comigo e tantos outros pais: a gente fica o tempo todo se orgulhando dos filhos pelos menores motivos. O menor elogio já nos faz estufar o peito e agradecer a Deus.

Reconheço que sou particularmente abençoado pelos filhos maravilhosos que tenho, que me dão infinitos motivos de orgulho. Mas sinto que tenho a enorme responsabilidade de não me deixar embriagar pelo orgulho que os meninos me dão pois, caso contrário, poderia ficar cego aos seus defeitos, contribuindo, assim, para a deterioração de suas personalidades.

Deus me confiou a tarefa de criar três meninos maravilhosos. Vê-los crescer saudáveis, felizes, inteligentes e com bons corações é minha recompensa de cada dia.

Fidel, Chávez, Morales... Lula?

Anos atrás, um cientista político nipo-americano de nome Francis Fukuyama causou polêmica com um livro chamado O Fim da História, em que clamava que a humanidade já tinha experimentado todos os sistemas políticos possíveis e que a democracia capitalista moderna tinha se sagrado o sistema vencedor. Assim sendo, segundo Fukuyama, seria inevitável que todos países convergissem para regimes democráticos capitalistas e assim permaneceriam, felizes para sempre.

Na época, com o fim da União Soviética e a queda do regime de Mao na China, a idéia fazia sentido, mas os movimentos recentes da América Latina sugerem que os caminhos para democracia podem ser muito mais tortuosos do que se imaginava. O caso de Cuba é o mais enigmático e digno de nota. Mesmo velho e doente, Fidel Castro continua firme e inconteste no comando da ditadura mais antiga do planeta. Li uma biografia dele há mais de 20 anos e parece que pouca coisa mudou desde então. É incrível como Fidel é endeusado pelos cubanos, de uma forma muito diferente do que ocorre na Coréia do Norte, onde os cidadãos reverenciam, mas também temem, o líder Kim Jong-Il. Tempos atrás, no Japão, conheci uma médica cubana de nome Ema, capaz de brigar com qualquer pessoa que ousasse falar mal de Fidel.

O caso de Hugo Chávez na Venezuela é muito perigoso para toda América Latina e para o Brasil, em particular. É difícil imaginar o que um sujeito como Chávez pensa, mas ele tem se mostrado um tirano de ambições ilimitadas e ego superinflado; é, como Fidel, um marqueteiro de mão-cheia, explorando inteligentemente o sentimento de anti-americanismo onipresente na América Latina e a posição invejável de grande produtor de petróleo da Venezuela. É altamente deplorável que um sujeito como Chávez, que acaba de anunciar a estatização de todas principais áreas da economia e até de órgãos da imprensa, além de conseguir poderes ilimitados do congresso nacional, seja amigo pessoal de Lula. Chávez, não dê idéias a Lula, por favor!

Evo Morales é um caso menos preocupante. A influência regional da Bolívia é bem menor que da Venezuela e Morales não anunciou uma corrida armamentista, nem tem acumulado poderes ilimitados.

E Lula? Acredito que ele deva ter muita inveja de Chávez, mas parece que Lula aprendeu a ser mais prático que idealista em sua visão socialista do mundo. Todos devem se lembrar de como os bancos temiam a estatização pouco antes de Lula ser eleito para o primeiro termo da Presidência da República. Pois bem, Lula veio, Palocci deu continuidade aos planos econômicos do governo Fernando Henrique e os bancos nunca tiveram lucros como os de agora.

É difícil imaginar Lula estatizando bancos e empresas, inibindo a imprensa livre (houve alguns episódios no governo) e buscando para si poderes maiores no congresso à base de canetadas e golpes. Difícil, mas não impossível. A democracia brasileira permanece um enigma: parece sólida sob alguns aspectos, mas uma análise mais precisa revela muitos pilares de areia, como um povo com um percentual enorme de analfabetos funcionais, uma estrutura política corrupta que acredita na impunidade, um sistema judiciário que favorece a marginalidade. Pensando bem, não é tão difícil imaginar Lula dando uma de Chávez.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Nerds: os Heróis do Século 21

Dias atrás meus filhos estavam vendo um desenho animado no Cartoon Network enquanto eu trabalhava num dos computadores de casa. Percebi um diálogo inusitado em que duas personagens se acusavam mutuamente de ser "nerds" (usado assim mesmo, sem tradução, mas com a pronúncia aportuguesada de nérdi). Parei o que fazia, dei uma olhada na cena e depois fui explicar aos meninos o que significava o termo. No fim da explicação, concluí, sem remorso: "o papai é um nérdi."

Historiadores e afins tentam entender o mundo dizendo que deixamos a Era Industrial, passamos pela Era dos Serviços e agora vivemos a Era da Informação. Nada mais natural, portanto, que os heróis de nossa era sejam nerds. A conotação pejorativa implicada no desenho animado já é obsoleta, pois poucos devem considerar o termo ofensivo nos dias de hoje.

Tomemos como exemplo o que se passa em Hollywood. É hoje extremamente comum ter pelo menos um gênio em computadores em qualquer equipe, seja ela de ladrões sofisticados, terroristas astutos ou agentes secretos.

Nesta semana, dois dos mais conhecidos nerds do mundo estão em evidência. Um é Bill Gates, um sujeito que parece encarnar o estereótipo do que os nerds têm de pior, mas cuja influência em nosso modo de vida não pode ser subestimada. Bill Gates deu uma palestra inaugural na CES 2007, a maior feira de eletrônicos do mundo, que acontece em Las Vegas. As pessoas se acotovelam por horas para obter um ingresso para palestra, mas geralmente a decepção é grande na maioria dos casos. Um artigo interessante lista os principais motivos para as pessoas verem Gates na CES como: 1) sua polpuda carteira, 2) esperança de que o Vista vá "dar pau" durante a demonstração e 3) serem forçados for editores hiper-cruéis. Nada do que Gates apresentou foi particularmente inovador.

Na mesma, na MacWorld, um outro nerd bilionário, Steve Jobs, fazia sua apresentação. Os fãs da Apple (eu incluído) sempre sabem que podem esperar mais novidades do celeiro de criatividade e ousadia que é a Apple Computer. Foi assim com o primeiro Macintosh, com as diferentes versões de iMac, com o iPod, o MacOSX, iTunes e agora com o iPhone, uma excelente mistura de iPod, telefone e comunicador pela Internet.

Diretamente, é inegável a influência de Gates em nossas vidas presentes. Mas é também inegável que é prudente manter nossos olhos voltados ao pessoal da Apple para ter uma idéia do que o futuro nos reserva em termos de tecnologia.

Jobs 10, Gates 0.

domingo, 7 de janeiro de 2007

União Soviética, 15 Anos Depois: Capitalismo Vence Democracia

A Folha de São Paulo trouxe um conjunto de três artigos fazendo uma breve análise das mudanças ocorridas na Rússia nos últimos quinze anos. É difícil acreditar que já se passou tanto tempo desde a extinção da União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas em dezembro de 1991.

Lembro-me do interesse com que lia os jornais da época anterior ao fim da URSS. A corrida nuclear, o tom jocoso com que jornalistas se referiam ao "Gigante de Pés de Barro", capaz de desenvolver temidos mísseis balísticos intercontinentais, mas incapaz de prover bons calçados à própria população. Muita coisa mudou por lá desde então.

Os artigos da Folha lembram que a Rússia atravessou uma séria recessão econômica nos dois governos de Bóris Ieltsin (1991-1999), mas tem vivido um período de forte crescimento nos governos de Vladimir Putin (1999 até os dias de hoje). É interessante notar que a abertura política foi muito maior durante o governo de Ieltsin que no governo Putin; este é centralizador e conservador, o que não é surpresa vindo de um ex-chefe da KGB, antiga polícia política da União Soviética.

Entre maior liberdade e maior acesso à riqueza material, a classe média russa escolheu a segunda, o que provavelmente decepciona muitos idealistas. (Eu ainda era muito pequeno durante o governo militar do Brasil, mas tenho a impressão de que, apesar do milagre econômico brasileiro, o povo deste país lutou muito mais pela democracia que o povo russo atual.) Isso tornou a Rússia, ao lado da Índia e da China, os mercados emergentes mais importantes do mundo atual. O Brasil mais uma vez parece estar ficando de lado, perdendo o bonde da história.

O Incrível Bilionário Desempregado: Só no Brasil, Mesmo!

O portal Terra e a revista Isto É trazem um artigo inacreditável sobre um sujeito de Tatuí, interior de São Paulo. Apropriadamente conhecido pelo apelido de Mineirinho, ele vive uma vida frugal em uma casa simples, dirige um modesto Gol com sete anos de uso, não tem emprego e até hoje tem dívidas de sua pequena empresa, falida há dez anos. O que torna sua história única é que Mineirinho declarou à Receita Federal ter mais de dois bilhões de reais em dinheiro vivo! A origem dessa fortuna é totalmente misteriosa!

Num mundo informatizado como o nosso e considerando o montante envolvido, não deve ser difícil provar que o dinheiro somente pode ter origem ilegal. E pensar que a malha fina da Receita às vezes retém declarações por discrepâncias de poucas centenas de reais!

Filme: Menina e Mulher (Uptown Girls)


Acabo de ver este filme por um canal da Sky TV. Peguei o filme pela metade e, quando me dei conta, quis vê-lo até o final. É uma mistura bem feita de comédia e drama, com ótimas atuações de Brittany Murphy e Dakota Fanning --- essa garota é um prodígio. Boa diversão para toda família.

  • Título em inglês: Uptown Girls
  • Ano de lançamento: 2003
  • Diretor: Boaz Yakin
  • Elenco: Brittany Murphy (Molly Gun), Dakota Fanning (Lorraine "Ray" Schleine)
  • Resumo: Molly, filha de um rock star morto em acidente, tem sua herança roubada e é obrigada a trabalhar como babá de uma menina de 8 anos (Ray) que age como uma adulta cheia de neuroses.
  • Nota: 7 estrelas de 10.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Natação: uma Paixão de Família


Hoje está chovendo muito (aliás, tem chovido muito desde o primeiro dia do ano), mas acabo de voltar do clube aonde fui treinar natação com meus filhos (Francis Akira, Oscar Kei e Hélio Ryuji, os descabelados da foto ao lado, exibindo medalhas ganhas no último torneio de 2006, em Itapira), debaixo de chuva gelada. Éramos somente nós quatro na piscina. Francis (8) cumpriu seu treino de 2.000 m, enquanto Hélio (12) e Oscar (9) fizeram um treino de 2.700 m. Eu nadei pouco mais de 2.000 m.

Exercícios físicos sempre ocuparam um papel importante em minha vida. Prefiro sacrificar tempo de sono a ficar sem me exercitar. Por experiência, sei dos benefícios psicológicos dos exercícios muito antes de ler sobre as endorfinas geradas pela atividade física.

Aprendi a nadar sozinho, na piscina do Lins Country Club, imitando o que via no Esporte Espetacular. Até hoje me lembro de como passei uma tarde imitando a virada olímpica no primeiro dia que a vi na TV. Lembro-me até do rosto do nadador, embora não me recorde de seu nome. Praticava 1.500, 2.000 m sempre que dava, mesmo no frio. Durante o inverno, éramos somente eu e meu irmão do meio, Marinho, nadando sem parar.

No início da adolescência, passei por uma fase inevitável de praticar futebol de salão todos os dias, mas sempre foi a natação o meu esporte favorito. Durante a faculdade, no ITA, maravilhei-me com a primeira piscina olímpica de minha vida. Ganhei umas poucas medalhas lá, mas devido ao estudo meus treinamentos eram muito irregulares. Nessa época, fiz um pouco de musculação (às vezes dividindo os aparelhos com as meninas da seleção de vôlei da época, que incluía as lendárias Jaqueline e Isabel!) e corria de vez em quando pelas ruas arborizadas do CTA (Centro Técnico Aeroespacial).

Depois da faculdade, somente voltei a nadar quando fui fazer pós-graduação no Japão. Durante os 6 meses em que estudei japonês em Osaka, lembro-me nostalgicamente de freqüentar a OK Swimming School, na cidade satélite de Suita, onde praticava musculação e natação de três a cinco vezes por semana. Bons tempos aqueles.

Durante o meu longo período na Universidade de Tokushima, nadava na piscina olímpica da universidade, onde cheguei a participar da equipe universitária. Durante os meses frios, nadava no Seishonen-Center (Centro de Jovens), onde eu pagava pouco mais de dois dólares por duas horas de uso.

De volta a Lins há cinco anos, minha rotina de exercícios tem sido muito intermitente: muito pouco durante o período de aulas e muito durante o período de férias escolares. Mas o meu maior orgulho em relação à natação são meus filhos, todos nadadores. Treinados pelo excelente Cassius, os meninos têm evoluído muito e já conquistaram muitas medalhas. Temos viajado com certa freqüência para que os meninos participem de torneios importantes, haja vista que Lins não tem estrutura para suportar boas competições, infelizmente.


É gratificante ver a evolução dos garotos, tanto em aspectos técnicos como nos resultados. Em particular, é admirável ver Oscar Kei nadando como se a água fosse seu ambiente natural. Ele desliza na água sem esforço e num ritmo alucinante. Além da saúde, a natação tem dado aos meus meninos muita coisa: disciplina de treinamento, espírito de competição, auto-confiança.

A natação e a água têm grande importância em nossa família. Há dois anos, nossas férias em Bonito, MS, foram motivadas pela possibilidade de nadar em aquários naturais em meio a cardumes de piraputangas. Este ano, nossa grande expectativa para nossas férias no litoral paulista é a chance de mergulhar nos cantos das praias de Ilhabela e Ubatuba à procura de qualquer sinal de vida marinha. Já comprei quatro kits de máscaras e snorkel, além de uma bolsa submarina para a câmera digital!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Casamento Perfeito entre Comercial e Canção

Em meio a imponentes geleiras do que parece ser o verão do Alaska, três amigos vestidos com classe pescam tranqüilos e celebram o momento com doses de uísque escocês, bebido em copos apropriados e, é claro, com pedras de gelo. A música de fundo é cativante, a paisagem inebriante e a cena, no mínimo inusitada. Confesso que tive vontade de provar uma boa dose de Chivas Regal.

Fiquei fascinado pela música: a introdução com acordes de violão clássico, a voz envolvente da cantora e a letra simples, mas hipnotizante. Fiz uma busca rápida na Internet (nessas horas eu simplesmente amo a grande rede) e descobri que muitas pessoas tiveram reação similar ao comercial e sua música. A canção é Mermaid Song e a cantora é Sarah Kidher. Eis a letra:

Mermaid Song (Sarah Kidher)
We could be together
Everyday together
We could sit forever
As loving waves spill over

The moon is fully risen
And shines over the seas
As you glide in myvision
The time is standing still

Don't shy away too long
This is a boundless dream
Come close to me my reason
I'll take you in my wings

We could be together
Everyday forever
We belong together
Further seas and over

In the garden of the sea
I see you looking over
With my wistful melody
You leap into the water
It is no breaths sighing
This is the mermaid song
The singing of my sisters
The sea has drown for long
Raras vezes uma canção combina tão bem com a cena. Outros exemplos são o crescendo da cena final de Teoria da Conspiração, com Julia Roberts cavalgando ao fundo, e o tema de abertura de Twin Peaks.

Nota: foi só procurar e encontrar o comercial no YouTube.

Violência nas Ruas

Lula começou seu segundo mandato falando grosso sobre os bárbaros atentados no Rio de Janeiro pouco antes da chegada de 2007, quando ônibus foram incendiados e delegacias atacadas. Falou inclusive em mudanças de lei, de modo a caracterizar esses atos como crimes hediondos. O novo governador do Rio assumiu e já voou a Brasília, solicitando ajuda da Força Nacional de Segurança. Neste início de ano, a violência voltou a ser a maior preocupação dos habitantes de grandes cidades brasileiras. Parece que os inúmeros pedidos de paz neste ano que começa foram em vão.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Decisão de ano novo: começar um blog

Já comecei vários diários e, quando os revejo acidentalmente, sinto-me meio idiota: invariavelmente todos contêm poucos registros, e o motivo principal é que acabo querendo descrever as coisas com detalhes maiores que deveria; os registros se tornam, conseqüentemente, longos demais e acabam consumindo muito do meu escasso tempo. Agora estou tentando me convencer de que isso não acontecerá com um blog. Basta teclar umas poucas linhas e submeter. Nem mesmo é necessário editar o que se escreve, pois somente eu vou ler, mesmo.

Acabo de ler um artigo interessantíssimo em inglês contendo dois trechos do Manual de Auto-Defesa de Wall Street na Slate webzine. A primeira parte traz o título Se Você Quiser Enriquecer, Evite Esses Erros Estúpidos e mostra exemplos práticos de como é importante considerar as taxas de administração de fundos de investimento quando planejamos investimentos de longo prazo. Nada que não seja óbvio, é verdade, mas os exemplos e argumentos são convincentes.

A segunda parte, Favor Não Investir em Fundos Hedge (Fundos de Investimento Especulativo), desmistifica esses fundos de ganho alto e rápido, mostrando que, para resultar no mesmo ganho líquido para o cliente, tais fundos necessitam obter ganhos muito elevados. Pior ainda no caso dos fundos de fundos. Além disso, como hoje há muitos fundos disputando oportunidades limitadas de grande ganho, o que acaba reduzindo muito as chances de ganho para o cliente médio.