A Cara-de-Pau da Microsoft
Passei uma parte das minhas "férias" estudando a plataforma .NET da Microsoft para um curso que vou dar neste semestre e no próximo. Para conhecedores de Java, a sensação de dèjá vu é uma constante: compilação para linguagem intermediária, coletor de lixo etc. É impressionante como a Microsoft consegue apresentar idéias de outros como sendo suas... e Bill Gates ainda tem a cara-de-pau de chamar isso de inovações.
Admiro a Microsoft pela sua capacidade de desenvolver projetos de software realmente leviatânicos. Por exemplo, estima-se o tamanho do Windows Vista em nada menos que 50 milhões de linhas de código! Mas pelo que tenho lido na imprensa técnica, as "inovadoras" características do Vista já são antigas em algumas versões do Linux e no MacOS X. Aliás, o Windows 3.1 da Microsoft foi uma versão piorada do primeiro MacOS - ok, temos que admitir que as idéias originais de interfaces gráficas e uso do mouse nasceram nos laboratórios da Xerox em Palo Alto -, e desde então não há nada que o pessoal da Apple faça que não seja copiado alguns anos depois pela Microsoft. Foi assim com iPod e agora, com o Vista.
Acredito que, com o passar do tempo, vou acabar me rendendo como todo mundo e instalar o Vista em pelo menos uma máquina em casa, mas por enquanto não estou convencido de que vá ter alguma vantagem em fazê-lo, principalmente em se considerando os preços absurdos das licenças.
Um caso mais recente dessa cara-de-pau da Microsoft é a cópia da idéia de Object Bench no Microsoft Visual Studio 2005. A idéia foi copiada integralmente do BlueJ, um ambiente gratuito para aprendizagem de programação orientada a objetos em Java desenvolvido numa universidade australiana por uma equipe liderada pelo professor Michael Kölling. Pois bem, a Microsoft copiou a idéia integralmente, mantendo até as mesmas mensagens e menus. Para piorar, nem citou quem era o autor da idéia original. Para piorar ainda mais (se é possível), a Microsoft teve a petulância de requerer patente disso! Detalhes dessa história e comentários de Kölling podem ser vistos no blog de Ed Burnette. As imagens abaixo mostram a interface original do BlueJ e a cópia descarada da Microsoft, respectivamente. Até os comentários são os mesmos!


O sucesso da Microsoft é uma triste constatação de que a cópia, às vezes, compensa, e muito.




